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Efeito estufa

Gasolina com menos álcool agrava efeito estufa

fonte - Ciencia Hoje

Veículos automotores respondem por 30% dos poluentes lançados na atmosfera

A redução de 24 para 20% no teor de álcool contido na gasolina automotiva vai aumentar em cerca de dois milhões de toneladas a emissão anual na atmosfera de dióxido de carbônico - um dos causadores do efeito estufa. A medida foi determinada pelo governo federal e representa uma diminuição no consumo de 900 milhões de litros de álcool, segundo os cálculos da pesquisadora Laura Mattos, do Instituto Internacional de Mudanças Globais da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). O decreto, assinado em 5 de agosto de 2000, foi motivado pelo aumento do preço do combustível.

O álcool anidro (diferente do álcool etílico hidratado, de uso doméstico) é usado como aditivo na gasolina e substitui o chumbo tretetila, que é tóxico. Trata-se de um combustível de biomassa renovável. A cana-de-açúcar pode absorver na fotossíntese o dióxido de carbono liberado após a queima do álcool. Por isso, esse combustível é menos poluente que a gasolina, que é derivada de uma fonte fóssil não renovável.

Os carros em circulação no país são projetados para utilizar 22% de álcool na gasolina. A redução nesse teor significa um aumento relativo (em 1 m3) de 5,3% nas emissões de dióxido de carbono. Um metro cúbico de gasolina automotiva com 24% de álcool anidro emite 1,73 tonelada de CO2 na atmosfera; se o teor for de 20 %, a emissão aumenta para 1,83 tonelada. Com isso, a quantidade de gás carbônico emitido anualmente no Brasil aumenta em 2.126.808 toneladas, levando-se em conta o consumo atual de gasolina automotiva.

A medida deve agravar a poluição local das grandes cidades. "No caso do Rio de Janeiro, que em 1998 emitiu 12.906.000 toneladas de CO2, o aumento representa cerca de 16,5% das emissões totais de gases de efeito estufa no município", alerta Laura Mattos. Os veículos automotores são responsáveis por 30% dos gases poluentes lançados na atmosfera. Segundo Laura, é necessário alterar a estrutura rodoviária para reverter essa situação. "O incentivo ao Pró-Álcool e a distribuição melhor do transporte não rodoviário seriam passos importantes."

A medida do governo federal foi determinada no momento em que o Brasil finaliza seu inventário de gases de efeito estufa, no qual se compromete em controlar a emissão de poluentes. "É um contra-senso", julga Laura. "Por mais que existam motivações econômicas, essa atitude foi tomada quando o resto do mundo caminha no sentido inverso - o de se preocupar com as questões ligadas ao aquecimento global."

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