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Poluição reduz volume de chuvas

Fumaça de queimada na Amazônia pode afetar potencial hidrelétrico da região

Fonte - Ciência Hoje

A poluição atmosférica é parcialmente responsável pela redução na quantidade de chuvas. Isso é o que indica uma pesquisa coordenada pelo professor Daniel Rosenfeld, da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel).

O pesquisador já havia comprovado que a poeira diminui a eficiência de precipitação nas nuvens. Seu trabalho mais recente mostra que a fumaça proveniente das chaminés das fábricas, dos escapamentos e, sobretudo, dos incêndios em florestas também altera o processo de formação das nuvens. A Amazônia estava entre as regiões escolhidas para o estudo.

A precipitação nas nuvens formadas em presença de fumaça é 

menor que em nuvens de tamanho similar desenvolvidas em 

ambiente de ar limpo

A água evaporada na superfície do planeta condensa-se em pequenas gotas para formar as nuvens. Essas gotículas unem-se umas às outras. No início, a associação é lenta. Porém, o processo se torna mais rápido à medida que o volume das gotas aumenta e, em dado momento, a nuvem precipita na forma de pingos de chuva.

Para estudar os mecanismos de formação e precipitação das nuvens, bem como a influência da fumaça, Rosenfeld utilizou técnicas de análise por satélite. Essas técnicas indicam a quantidade de água presente nas nuvens e detectam a ocorrência de eventuais precipitações. Permitem também medir o tamanho das gotículas e determinar a temperatura.

Essa metodologia foi aplicada para avaliar nuvens tanto em regiões de queimadas como em locais onde o ar é livre de fumaça. "As nuvens em presença de fumaça têm grande volume de água distribuído em pequenas gotas", relata Rosenfeld à CH on-line. A quantidade de chuva detectada nessas nuvens é muito baixa. "Nuvens de tamanho similar mas desenvolvidas em ambiente de ar limpo têm gotas maiores e produzem um volume de chuva muito superior." As observações do pesquisador foram verificadas na Amazônia e na Indonésia.

Pequenas partículas como poeira e fumaça (aerossóis) funcionam como núcleos onde o vapor d'água pode ser condensado. No entanto, as gotas produzidas em sua superfície são muito reduzidas. Dessa forma, o processo que leva à formação dos pingos de chuva é difícil e demorado. Mesmo as maiores partículas de poeira prejudicam a formação de gotas nas nuvens, ainda que ofereçam condições para produção de gelo. Assim, essas partículas reduzem menos a taxa de precipitação e, portanto, mostram-se menos prejudiciais que a fumaça proveniente das queimadas florestais.

Os efeitos negativos da poluição ambiental são extremamente vastos. No Brasil, por exemplo, os incêndios são comuns na floresta amazônica e em várias outras regiões. Isso diminui a quantidade de chuva e tem impacto sobre o potencial hidrelétrico, que também é reduzido. Hoje, essa redução é sentida qualitativamente, pois o país vive acirrado racionamento de energia e teme o 'apagão'. "Quantificar o impacto da fumaça no potencial hidrelétrico deveria ser prioridade no Brasil", acredita Rosenfeld. "Compreender os efeitos da poluição é o primeiro passo para remediá-los."

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