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Seqüestro de carbono pela floresta amazônica

Quanto mais alta a exposição ao gás carbônico, mais rápido crescem as árvores

Fonte - Ciência Hoje

A floresta amazônica pode absorver grande quantidade do dióxido de carbono (gás carbônico ou CO2) - um dos principais compostos da poluição atmosférica liberada pelo homem em processos como a queima de combustíveis. 

Recentemente, observou-se que, quanto maior for a exposição das árvores da floresta a esse gás, mais rápido será seu crescimento. Essa é uma das conclusões do estudo feito em colaboração entre cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e da Universidade da Califórnia em

A Amazônia é capaz de fixar nas árvores cerca de 1,2 toneladas de 

carbono por hectare a cada ano (fotos: arquivo Niro Higuchi / Inpa)

Irvine (Estados Unidos) e publicado na revista Nature em 22 de março.

Sempre se acreditou que a Amazônia (uma floresta tropical úmida) estava em equilíbrio, ou seja, que aspirava e expelia a mesma quantidade de gás carbônico. As plantas obtêm energia por dois processos: a fotossíntese (em que aprisionam gás carbônico e liberam oxigênio) e a respiração (em que as trocas gasosas se dão de forma inversa). No entanto, resultados de observações sucessivas ao longo dos últimos 20 anos mostram que a floresta é capaz de fixar nas árvores cerca de 1,2 toneladas de carbono por hectare a cada ano (um hectare tem 10 mil metros quadrados, medida similar à de um campo de futebol). "Se considerarmos que a Amazônia tem por volta de 250 milhões de hectares, chega-se à conclusão que a floresta pode absorver até 300 milhões de toneladas de carbono por ano", afirma Niro Higuchi, engenheiro florestal do Inpa e um dos autores da pesquisa em questão.

A concentração excessiva de gás carbônico na atmosfera é responsável pelo efeito estufa, fenômeno que contribui para o aquecimento da Terra e pode levar a efeitos como enchentes, secas e aumento do nível dos mares. Só o Brasil emite, em média, 65 milhões de toneladas do gás poluente para a atmosfera a cada ano por meio da queima de combustíveis fósseis.

Outro resultado que surpreendeu os autores do estudo diz respeito ao crescimento das árvores. Segundo Higuchi, que estuda a Amazônia há 21 anos, elas crescem proporcionalmente à quantidade de gás carbônico a que são expostas. "Nossos experimentos mostraram que, quando dobra a quantidade de 

exposição de dióxido carbono, a árvore cresce, em média, 25% mais rapidamente." 

Um trabalho anterior, também publicado na Nature, havia verificado a idade das árvores de terra firme (trecho não inundado nas épocas de cheia dos rios). "Encontramos exemplares com até 1400 anos", conta o pesquisador.

O próximo objetivo de Higuchi é entender melhor o que ocorre nas raízes das árvores - um importante e pouco estudado reservatório de carbono. "Isso tudo faz parte de um projeto que pretende traçar um modelo geral sobre a Amazônia", afirma o cientista. Segundo ele, o estudo poderá ser útil para o desenvolvimento sustentável da região e para prever a conseqüências de situações diversas como queimadas, por exemplo.

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