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Um mundo sem água

Escassez do recurso pode levar a conflitos em várias regiões do mundo

Fonte - Ciência Hoje

A idéia de viver sem água lembra filmes de ficção científica que prevêem um futuro terrível: terra seca, fome, sede, conflitos para obter o recurso. No entanto, esse cenário já é uma realidade em diversas partes do mundo. O exemplo mais visível das conseqüências do consumo desordenado da água é o Mar de Aral, na antiga União Soviética (URSS). Ele era o quarto maior corpo de água interno do mundo até que, nos anos 60, a URSS decidiu intensificar sua produção de algodão para tornar-se auto-suficiente e exportadora. 

Fotos de satélite de 1977, 1989 e 1995 mostram a diminuição do volume do Mar de Aral, na antiga União Soviética

A água de alguns rios que abastecem o mar foi desviada para a irrigação, e o resultado foi desastroso. O mar perdeu um terço de seu volume e o porto de Muynak fica hoje a 50 quilômetros do mar. Os barcos estão abandonados na areia, sendo corroídos pelo sal, e a seca trouxe à tona uma poeira tóxica composta por herbicidas e pesticidas antigamente confinados no mar.

Outros reservatórios de água têm sofrido danos semelhantes. O rio Colorado, nos Estados Unidos, e o Yang Tsé, na China, tiveram seu volume drasticamente reduzido devido à drenagem excessiva pelo homem. O Nilo, que atravessa o Egito, é uma fonte de conflito em potencial: 85% de seu volume são originários da Etiópia que, depois de séculos sem dar muito valor ao recurso, está preparando barragens para contê-lo. Enquanto isso, os egípcios, que consomem dois terços de seu fluxo, preparam novos projetos de irrigação que tendem a aumentar a demanda. Não há nenhum acordo diplomático envolvendo os dois países; a bomba está pronta para estourar.

Quem pensa que o Brasil está livre de problemas como esse se engana. O represamento do rio Paraná, que corre para a Argentina, vem gerando conflitos diplomáticos. Na cidade de São Paulo, que 'matou' sua principal fonte de água, o rio Tietê, três milhões de pessoas ficam sem água nos períodos de estiagem. A cidade de Recife, conhecida como 'a Veneza brasileira', submete bairros da periferia a rodízios de água de até 48 horas.

Essas são apenas algumas das conseqüências da crise da água. Ela pode levar também a doenças como a hepatite A, cólera e disenteria, transmitidas pela água contaminada. A produção e o comércio mundial de grãos também podem ser prejudicados em função da falta de irrigação e do esgotamento dos aqüíferos. No entanto, a situação pode ser revertida: basta tratar das reservas para que o caos não se instale de vez.

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