O impasse de Haia

Não há consenso para regular redução da emissão de gases do efeito estufa

fonte - www.cienciahoje

Terminou em impasse no dia 24 de novembro a 6º Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, realizada em Haia, Holanda. Preocupados com as conseqüências do aquecimento global, delegados de 185 países se reuniram para tentar resolver questões pendentes do Protocolo de Kyoto - documento assinado por 84 países desde 1997 que estabelece metas e prazos para a redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa. Os delegados não chegaram a nenhum acordo, e uma nova conferência foi marcada para maio de 2001, na Alemanha. 

EUA propõem que países que têm florestas como a Amazônia, que seqüestram carbono durante a fotossíntese, possam emitir mais CO2

Um dos pontos mais polêmicos discutidos na conferência foi a possibilidade, proposta pelos Estados Unidos, de países industrializados compensarem suas grandes emissões de gases do efeito estufa com as florestas existentes em seus territórios (que funcionam como sumidouros de gás carbônico), com investimentos em projetos ambientais ou com a criação de um Fundo de Desenvolvimento Limpo, que prevê a utilização de fontes alternativas de energia nos países em desenvolvimento. Tanto os países em desenvolvimento quanto os da União Européia rejeitaram as propostas norte-americanas. "Isso já era esperado", afirma Antônio Fernando Pinheiro, da Associação Brasileira dos Advogados Ambientalistas. "O andamento dos acordos de âmbito internacional é mesmo lento."

Segundo Pinheiro, países como os Estados Unidos (que, segundo o Protocolo de Kyoto, deverão reduzir cerca de 5,2% de suas emissões de dióxido de carbono) têm interesse em investir na preservação da Amazônia, um dos grandes sumidouros de carbono do mundo (por seqüestrar CO2 no processo de fotossíntese), para poderem continuar emitindo o CO2, rejeito de suas indústrias. "Mas o Brasil não quer 'vender' suas florestas, porque isso implicaria um monitoramento por parte dos investidores", diz Pinheiro. "A soberania do país está em jogo."

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