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Ônibus movido a Hidrogênio

Combustível limpo. 

Curitiba deve ter ônibus a hidrogênio em breve

O governo do estado, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, pretende testar nas ruas de Curitiba, a partir do final do ano que vem, ônibus movidos a hidrogênio, combustível que não gera poluição. Segundo o secretário da Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, os testes com os ônibus de hidrogênio estão sendo negociados com um consórcio de três empresas multinacionais que estão desenvolvendo a tecnologia: Daimler-Chrysler, Ford e Ballard.

Wahrhaftig esteve recentemente na Alemanha, onde iniciou as negociações para trazer a pesquisa também para o Brasil. De acordo com ele, nove cidades da Europa devem testar, cada uma, três protótipos do veículo movido a hidrogênio, desenvolvido pelo consórcio de empresas, a partir do final do ano que vem. "Queremos trazer esses ônibus também para o Brasil."

Segundo o secretário, o consórcio de empresas pesquisadoras se mostrou bastante interessado na participação de Curitiba no projeto. Wahrhaftig afirma que as negociações, porém, ainda não estão fechadas e dependem de recursos para que o estado possa financiar a pesquisa em Curitiba.

Elemento comum

O hidrogênio é o elemento mais comum existente na natureza e é considerado uma fonte de energia quase inesgotável. A grande vantagem de se utilizá-lo em automóveis é que a energia que o gás produz é limpa, não-poluente. Segundo o engenheiro mecânico Ricardo Torres, do grupo de projetos especiais do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a produção de energia nos carros se dá por uma reação conjunta com o oxigênio.

Os subprodutos da reação são a energia elétrica, usada para mover o veículo, e a água. Por produzir água, um carro movido a hidrogênio não causa poluição. No entanto, lembra Torres, existem duas restrições para se utilizar o hidrogênio: o seu armanezamento e os custos da tecnologia. No que diz respeito ao armazenamento, o volume ocupado pelo tanque de hidrogênio em veículos automotores ainda é grande demais. Também há dificuldades de manter a segurança com relação a acidentes.

O custo da tecnologia de uso do hidrogênio em veículos também é alto, impedindo, por enquanto, a sua produção em escala industrial. Apesar disso, diz Torres, já existem alguns veículos movidos a hidrogênio circulando pelas ruas de pelo menos duas grandes cidades na América do Norte: Chicago, nos Estados Unidos, e Vancouver, no Canadá.

Segundo Torres, trazer os testes do ônibus a hidrogênio para Curitiba faz parte de "visão estratégica de futuro." O Tecpar participaria do projeto como difusor da tecnologia, em parceria com empresas e universidades.

História - Uso antigo

Embora ainda não seja usado em larga escala, o hidrogênio já foi e vem sendo usado como combustível. Os dirigíveis, que foram utilizados antes da II Guerra Mundial, na década de 30, eram movidos a hidrogênio.

O mais famoso deles - o Zeppelin, de fabricação alemã - incendiou-se no céu de Nova Iorque, em 1937, em um dos maiores desastres dos transportes aéreos já registrado. O hidrogênio gasoso que abastecia o dirigível, é altamente inflamável.

Os ônibus espaciais norte-americanos também usam hidrogênio líquido como combustível. O vazamento do gás causou outro acidente: o do ônibus espacial Challenger, em 1986.

Independentemente de um eventual fechamento de contrato para trazer a Curitiba ônibus movidos a hidrogênio, no final do próximo mês a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia deve assinar um convênio de cooperação técnico-científica na área de novos combustíveis e de novas tecnologias na área automotiva com o Rocky Mountain Institute, no Colorado, Estados Unidos.

O instituto norte-americano trabalha com o conceito de "hypercar", ou seja, de um "hipercarro", desenvolvido com novas tecnologias, dentre as quais poderia, inclusive, estar o uso do hidrogênio como combustível. Em maio, o físico norte-americano Amory Lovins, que dirige o instituto, esteve em Curitiba, quando foram feitos os primeiros contatos.

Copel

O Laboratório Central de Pesquisas (Lactec), vinculado à Copel, também está estudando o hidrogênio como combustível há cerca de cinco anos. Segundo o diretor-superintendente do Lactec, Henrique Ternes Neto, existe a possibilidade de a Copel, no futuro, aproveitar a ociosidade de geração de energia elétrica à noite e durante a madrugada, quando o consumo é menor, para produzir hidrogênio.

Ternes Neto lembra que o hidrogênio pode ser produzido por meio de um processo conhecido como eletrólise da água, que é processada pela energia elétrica. Segundo o diretor do Lactec, em face dos avanços das novas tecnologias de uso do hidrogênio, a Copel também tem interesse em participar do desenvolvimento de projetos de viabilização comercial do combustível.

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