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Ecstasy

Droga que é mania na Europa tem fama de inocente e até de trazer benefícios aos usuários

ECSTASY PROMETE REPETIR A POLÊMICA TERAPÊUTICA

          Quando a filha do embaixador do Brasil em Londres, Sérgio Amaral, foi presa essa semana no Rio com um pacote de pílulas de ecstasy, ela provavelmente pouco se preocupava com outra coisa que não o constrangimento diplomático e familiar em que se metia. Na verdade, nos últimos tempos o ecstasy vem assumindo uma polêmica que parece ser parecida com a maconha: a de uma droga "benigna", capaz de causar poucos efeitos danosos e ter um uso terapêutico, segundo seus defensores. Os guardiões antidrogas a temem como a praga. O ecstasy  (apelidado de XTC ou simplesmente "e") também está adquirindo ares de cultura própria, de droga de um nicho social específico e particular.

          Ecstasy, na verdade, é o apelido da substância metilenodioximetanfetamina (MDMA, para encurtar), uma droga psicoativa de propriedades estimulantes e alucinógenas, a preferida em festas rave e shows de rock. Sintetizada em 1912 por uma companhia alemã interessada num novo inibidor de apetite, a partir dos anos 70, a MDMA foi usada por psicoterapeutas para ajudar no processo terapêutico. Hoje em dia está sendo assumida por chefões do tráfico e não é mais MDMA puro: para "aumentar" a viagem, outras substâncias estão adicionadas, como mescalina.

          No site www.ecstasy.org, existem relatos de pessoas que juram ter conseguido, graças ao ecstasy, lidar com a morte de entes queridos, administrar sua sexualidade, reverter a depressão e até contactar com parentes mortos no além. A página da Internet é de seguidores do falecido Nicholas Saunders, um sul-africano que escreveu três livros em defesa da droga.

          Para o DEA ( agência antidrogas do governo norte- americano), contudo, não tem choro. Ecstasy é droga, causa efeitos nocivos à saúde e não tem diferença sobre a cocaína ou LSD, pois sua classificação é idêntica na tabela da agência americana. O DEA menciona especificamente que o tráfico de ecstasy tem usado encomendas de correio (precisamente o modo como a filha do embaixador foi pega – uma encomenda via Sedex).

          Não é difícil entender a atração do ecstasy. No site Jack, de 29 anos, descreve o efeito: "É um orgasmo do oito horas". Como não é entorpecente, a droga parece garantir energia a quem quer festar como se o mundo fosse acabar. Também parece ser uma grande destruidora de inibições sociais. Usuários de ecstasy não só dançam alucinadamente, mas também falam sem cessar e conhecem mil pessoas ao mesmo tempo.

          Especialistas crêem que a droga tem grande efeito terapêutico, por permitir encarar problemas e ajuda com doenças terminais, como câncer e Aids. Autoridades desencorajam a discussão, que não difere da que já se fez sobre a maconha. "Não há nada inocente sobre essa droga, que tem sido relacionada a mortes em ambientes raves e clubs", escreve o DEA no seu site oficial, o www.usdoj.gov.

O QUE ELA FAZ AO CÉREBRO

  1. Ecstasy afeta células nervosas que produzem seretonima, um químico cerebral que transmite estímulos a outros nervos. A seretonima é produzida num local da base do cérebro e transmitida às outras regiões pelos axônios, células longas que transportam esses estímulos. A seretonima liberada é responsável por sentimentos de contentamento, felicidade, empatia e até percepção aumentada.
  2. Axônios podem chegar a medir 30 cms. Normalmente a seretonina é liberada quando o estímulo viaja pelos axônios. A seretonina é estocada em microcélulas vesiculares no final dos axônios e depositadas em pequenas depressões chamadas sinapses cerebrais.
  3. O estímulo faz a vesícula liberar a seretonima na sinapse. Parte da seretonina é absorvida pelos receptores do neurônio mais próximo e continua a viajar pelo cérebro. O resto é digerido por enzimas ou reabsorvido de volta à vesícula de seretonina.
  4. Ecstasy faz as células nervosas liberarem toda a seretonina estocada na vesícula de uma só vez, e sem nem precisar do estímulo. O químico inunda a sinapse "afogando" os receptores de seretonina. Ecstasy também evita que a seretonina seja reabsorvida pela vesícula, aumentando a concentração na sinapse.
  5. A corrida de seretonina pode provocar sérios danos nas terminações de axônios (dendritos). A maior parte dos estudos sugere que as terminações simplesmente são queimadas e morem, mas outros estudos indicam que ela pode ser recuperada, mas jamais será a mesma. Ou os axônios ficam mais densos e não transmitem o sinal como antes , ou eles ficam menores e não atingem as mesmas áreas do cérebro.

Fonte: Diário Catarinense – 11-06-200

  As pastilhas de ecstasy são produzidas a partir de uma substância chamada metilenodioxidometanfetamina (MDMA), mistura do estimulante anfetamina com um alucinógeno. A droga foi sintetizada pela primeira vez em 1914 pelo laboratório alemão Merck, durante pesquisas para o desenvolvimento de compostos farmacológicos. Estudaram-se os efeitos terapêuticos da substância até meados da década de 80, quando foi considerada uma droga ilícita e proibida na maioria dos países. As pesquisas não foram inteiramente interrompidas, sobretudo as referentes ao uso da droga em psicoterapia de pacientes com traumas de abuso sexual na infância e no alívio da dor de doentes terminais de câncer. Fora dos centros de estudos, o MDMA, a essa altura, já era o "E" e havia se disseminado das boates de Londres para alguns países da Europa, para os Estados Unidos e, nos últimos cinco anos, para o Brasil.

          No início, o ecstasy era usado sobretudo pela comunidade gay e ravers – freqüentadores das chamadas raves, as megafestas que reúnem milhares de pessoas ao som de música tecno. Por trás de toda essa agitação está o movimento clubber, que aos poucos foi conquistando danceterias e boates das grandes cidades brasileiras, principalmente São Paulo. Os clubbers, com seus cabelos coloridos, roupas brilhantes, piercings e tatuagens espalhados pelo corpo, são geralmente jovens de classe média alta, com cacife para desembolsar até 50 reais por uma única drágea. É gente com disponibilidade para só sair para dançar depois das 3 da manhã e voltar para casa no meio da tarde seguinte. Dançam até não mais poder ao som daquele ritmo eletrônico de bate-estaca, insuportável aos ouvidos de muita gente, e em meio a uma profusão de luzes piscantes. O ecstasy tem tudo a ver com esse ambiente.

          A droga age sobre a química cerebral, e seus efeitos atingem o ápice duas horas depois de ingerida. Internamente, ela permite que o cérebro fique encharcado de serotonina, a substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar .

        Os efeitos físicos são notáveis: mãos e boca secas, pupilas dilatadas, hipersensibilidade tátil e aumento da temperatura corporal. Não é à toa que nas pistas de dança tanta gente chacoalha o corpo com uma garrafa de água ou isotônico na mão – é para matar a sede provocada pelo ecstasy. O uso de óculos escuros também se deve à droga, pois os olhos ficam sensíveis à luz. 

          Muitos usuários tentam se refrescar besuntando as narinas e o peito com VickVaporub. O chiclete é um recurso para estimular a salivação e aliviar a tensão no maxilar.Com o cérebro trabalhando acima da capacidade normal, eleva-se a atividade metabólica do organismo. O pronto-socorro do Hospital das Clínicas, em São Paulo, já atendeu pacientes que, depois da ingestão da droga, chegaram a 41,5 graus de temperatura corporal. "Por enquanto não registramos nenhum óbito, mas alguns jovens foram vítimas de uma dissolução irreversível da musculatura de braços e pernas", diz o toxicologista Anthony Wong. Ou seja, os músculos perderam massa e nunca mais voltaram ao normal. No ano passado, seis adolescentes americanos morreram depois de consumir ecstasy. Cinco por causa da alta de temperatura. O sangue borbulhou e simplesmente parou de circular. O sexto morreu num acidente de carro ao perder a consciência ao volante. Por causa dessas mortes, alguns Estados tentaram criar dificuldades à realização de raves. Outro risco da droga é provocar a coagulação do sangue, o que obstrui as artérias e leva ao derrame. Como o consumo do ecstasy é recente, ainda não se tem uma idéia clara de seus efeitos nocivos a longo prazo. Uma suspeita é de que possa comprometer a memória.

        É nas pistas de dança que, graças aos DJs e aos operadores de luz, que a droga faz mais sentido. As batidas ritmadas da música eletrônica por si só já provocam um efeito hipnotizante. Não bastasse o "tum, tum, tum", atuam as chamadas caixas de som subgraves, que emitem ondas sonoras não-audíveis pelo ouvido humano, mas sentidas no corpo como uma intensa vibração. 
          A pirotecnia luminosa completa a dança cerebral deflagrada pelo ecstasy. Toda essa parafernália potencializa os efeitos da droga. A dependência física do ecstasy ainda não foi cientificamente comprovada, mas o entusiasmo de seus usuários mostra que a pílula pode levar à dependência psicológica. "Quando me lembro da sensação provocada pelo ecstasy, tenho vontade de tomar outro imediatamente", conta a advogada paulista L.M., de 25 anos.

          Além dos riscos diretamente ligados à própria droga, existe a ameaça das pastilhas impuras, que podem ter efeitos devastadores no organismo. Da mesma forma que o traficante de cocaína mistura pó de mármore ou talco à droga, já foram descobertos tabletes de ecstasy com heroína e cocaína. Em associação com essas duas drogas, aumenta o poder viciante do "E". Foram registrados casos de intoxicações que causaram a morte por envenenamento. No início da década passada, foi apreendida na Holanda uma partida de pílulas turbinadas com estricnina. Em doses mínimas, essa substância funciona como estimulante. Em doses maiores, é um veneno mortal. Tolerantes com o uso de drogas, as autoridades holandesas permitem que as casas noturnas mantenham uma equipe de químicos para testar ao vivo e in loco a composição do ecstasy. Nos Estados Unidos, os organizadores de algumas raves oferecem gratuitamente o teste de pureza na entrada das festas.

          Países como Inglaterra, Holanda e Estados Unidos estão muito mais atentos aos avanços e riscos do ecstasy do que o Brasil. Por aqui, a droga ainda é uma novidade – ao menos para a polícia. As apreensões são poucas e subestimam o consumo real. Entre 1989 e 1999, a Polícia Federal confiscou 11.300 pastilhas de ecstasy. Em outubro do ano passado, foi descoberto no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, um carregamento de 170.000 tabletes. Haviam sido despachados da Espanha como cosméticos. É ninharia, se comparado ao que ocorre nos Estados Unidos, campeão mundial no consumo de drogas sintéticas. De outubro do ano passado até agora, a alfândega americana confiscou 4 milhões de pastilhas. Essa quantidade representa 1 milhão a mais do que havia sido pego nos dez primeiros meses de 1999. Há três semanas, dois senadores americanos apresentaram um projeto para combater o tráfico de ecstasy. Pela proposta, quem estiver carregando mais de 100 comprimidos será considerado traficante e julgado como tal. O endurecimento é explicado pelo grande número de usuários: 3,4 milhões, segundo o governo dos Estados Unidos, o que corresponde à metade dos consumidores de ácido lisérgico, o alucinógeno dos hippies da década de 60. O que assusta os americanos é o consumo da droga pelos colegiais. Uma pesquisa realizada em 1998 constatou que 5,8% dos estudantes americanos haviam experimentado o "E" no ano anterior. Em 1999, 8% tiveram essa experiência.

Fonte - Revista Veja

PESQUISA - Márcia Lombardo - Expoente - João Negrão - Noite

Também colaboraram - Patrícia H Stoco, Juliane B Silveira e Guilherme L. dos Santos - Expoente - Terceirão (3MA) - Comendador -Manhã

21 de junho de 2000

A fórmula do ecstasy sugere uma série de questões interessantes para o vestibular. Procure formular perguntas sobre o composto para você mesmo.

 Você pode encontrar outras informações (em inglês) no site www.erowid.org. Este site, além do ecstasy, traz informações sobre outras drogas.

PESQUISA - Daniel Costa Dias - Expoente - João Negrão - Noite

19 de junho de 2000

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