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Proteína pouco conhecida é essencial para o organismo.

Estudo mostra que príon celular está envolvido na comunicação entre neurônios.

Fonte - Ciência Hoje

O príon -- proteína conhecida por causar o mal da vaca louca em animais e uma série de distúrbios do sistema nervoso em humanos -- não é responsável apenas pelo surgimento de doenças. Segundo estudo desenvolvido por cientistas do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o príon é peça fundamental na emissão de prolongamentos pelos neurônios. A pesquisa indica que essa proteína tem um papel importante na comunicação entre as células nervosas.

Existem dois tipos de príon: o celular -- abundante na superfície dos neurônios saudáveis -- e o infeccioso -- responsável por vários distúrbios de comportamento. O aparecimento da proteína infecciosa no organismo pode ocorrer, entre outros fatores, por hereditariedade, uso de material cirúrgico contaminado ou consumo de carne de animais infectados. No entanto, ainda existem casos em que seu surgimento não foi explicado.

O príon celular -- em espiral -- (acima) pode se converter na proteína infecciosa -- em ziguezague -- (abaixo) e afetar o funcionamento do sistema nervoso

Nas células nervosas, o príon infeccioso converte a proteína normal (celular) na forma causadora de doenças. O acúmulo de moléculas alteradas nos neurônios provoca a morte dessas células, o que pode prejudicar a coordenação motora e gerar perda de memória e até demência.

Já foi demonstrado que, quando o príon celular assume a estrutura da proteína infecciosa, o sistema nervoso é gravemente afetado. "Nossos resultados sugerem que não é apenas a conversão de um príon no outro que causa doenças", afirma a pesquisadora Vilma Martins, do Instituto Ludwig. "A falta da proteína normal também pode gerar distúrbios do sistema nervoso."

O príon infeccioso já foi muito estudado, mas pouco se sabia sobre a proteína normal. Alguns autores chegaram a afirmar que o príon celular não teria função alguma. "Nosso estudo indica que essa proteína está envolvida na emissão de prolongamentos celulares -- chamados neuritos -- que estabelecem a comunicação entre os neurônios", diz Martins.

Inicialmente, a equipe realizou testes para determinar a que substâncias o príon normal consegue se ligar. Os cientistas descobriram que a laminina -- um composto presente no tecido que envolve os neurônios -- contém regiões específicas de ligação com o príon celular. Então, células nervosas que não produziam esse príon foram colocadas em um meio com laminina. O mesmo foi feito com neurônios que fabricavam a proteína. "Depois de algum tempo, verificamos que as células que sintetizavam o príon celular haviam produzido bem mais neuritos", conta a pesquisadora.

A descoberta de que o príon celular participa de mecanismos essenciais para o bom funcionamento do sistema nervoso tem grandes implicações. "Muitos cientistas acreditam que drogas contra o príon celular devam ser utilizadas no combate às doenças causadas pela proteína infecciosa, já que esta não consegue agir sem a normal", afirma Martins. "Nossa descoberta mostra que o uso desse tipo de medicamento pode não ser o tratamento mais adequado, dada a importância do príon celular."