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Composto retirado da chicória pode substituir açúcar

Obtida pela primeira vez no país, inulina é pouco calórica e recomendada para diabéticos

Fonte - Ciência Hoje

Foi obtida pela primeira vez no Brasil a inulina, composto retirado da raiz da chicória que melhora as condições da flora intestinal, é pouco calórico e pode substituir parcialmente o açúcar e auxiliar o tratamento de diabéticos. A extração do composto é fruto de dois estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) -- a tese de doutorado de Regina Isabel Nogueira e a dissertação de mestrado de Juliana Tófano de Campos Leite.

A inulina é um açúcar chamado frutoligossacarídeo que, ao contrário da maioria dos outros, não é digerido no estômago. Sua contribuição calórica é pequena: cerca de 1,5 quilocaloria por grama, contra 4 kcal/g do açúcar e 9 kcal/g da gordura. 

Chicória cultivada nos campos do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas
Químicas, Biológicas e Agrícolas da Unicamp para obtenção de inulina

Seu consumo é recomendado para diabéticos (observado o grau da enfermidade no indivíduo), pois frutoligossacarídeos não são aproveitados pelo organismo e, assim, não aumentam o nível de açúcar no sangue. Quem consome a inulina, na verdade, são bactérias que compõem a flora intestinal, as bifidobactérias.

Essas bactérias inibem o desenvolvimento de micróbios que causam diarréia ou câncer de cólon, por exemplo. Além disso, o consumo da inulina pelas bifidobactérias auxilia uma boa digestão ao carregar toxinas e colesterol para fora do corpo. "A inulina tem papel funcional semelhante ao das fibras", explica Kil Jin Park, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp e coordenador do estudo.

Os cientistas chegaram a preparar um bolo caseiro feito com 5% de inulina em relação à massa total: o gosto foi aprovado. Como a inulina em grandes quantidades tem gosto amargo, não pode substituir totalmente o açúcar comum. A preparação de cada alimento deve ser estudada para que se avalie a quantidade ideal a ser usada.

A obtenção da inulina no Brasil foi realizada em duas etapas. Na primeira, a chicória foi cultivada nos campos da Unicamp. Como ela é típica de clima temperado, havia a dúvida se a produção de inulina seria satisfatória. "A cultura se adaptou bem e respondeu com conteúdo de inulina maior que o produzido nos países de origem", diz Park.

A segunda etapa, realizada por especialistas da Feagri e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi a extração propriamente dita do composto. Os cientistas trituraram as raízes da chicória e colocaram o material obtido em água quente para retirar por difusão o extrato líquido da inulina -- "como no preparo de chás", esclarece Park. O líquido foi filtrado e levado a um evaporador para se obter o extrato concentrado. Por fim, em um processo chamado secagem por atomização (o mesmo usado na fabricação do leite em pó), o líquido foi pulverizado e se tornou um produto mais fino que o açúcar.

Lavagem e trituração de raízes de chicória para a obtenção da inulina

Atualmente, a inulina só é produzida no exterior e o Brasil precisa importar o composto. A obtenção da inulina brasileira foi realizada com recursos da Fapesp e do CNPq. A próxima etapa será a exploração comercial do produto. Uma empresa privada, em conjunto com a Unicamp e a Embrapa, fará testes de produção em escala industrial ainda em 2002, prevendo para o ano seguinte a comercialização da inulina.