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Possibilidade de guerra biológica é pequena, mas existe, dizem especialistas

Fonte - CNN - 18 de setembro, 2001-por David Ensor.

WASHINGTON (CNN) -- Enquanto as autoridades norte-americanas admitem haver mais indícios da contínua permanência de prováveis terroristas no país - e que estariam planejando novos ataques -, existe uma preocupação crescente com a possibilidade de eles estarem tentando adquirir armas biológicas.

Muitos especialistas acreditam que os Estados Unidos não estão preparados para lidar com uma agressão deste tipo.

O antrax seria a arma biológica mais facilmente usada pelos terroristas, dizem os especialistas. Um bilionésimo de grama - o tamanho de uma pinta em um grão de poeira - é o suficiente para matar.

Em uma primeira reação, os agentes elaborados com antrax causam febre e dores estomacais. Entre as 24 e 36 horas seguintes ao ataque, uma combinação de graves sintomas leva a uma morte horrível.

"No caso de um ato terrorista biológico, isso seria feito com aerossol. O agente é ressecado e pulverizado", comentou D.A. Henderson, diretor do Centro de Estudos sobre Biodefesa Civil, na Universidade Johns Hopkins.

Ainda mais aterrorizador, embora de acesso muito mais difícil para os terroristas, é o vírus da varíola, doença erradicada no mundo inteiro na década de 1980.

"Para conseguir transportar o vírus da varíola, seria necessário um dispositivo dentro de uma caneta tinteiro, que passaria com facilidade por qualquer alfândega ou detector de metais. E nesta caneta haveria vírus suficiente para detonar a pior epidemia mundial", analisa Michael Osterholm, diretor do Centro de Minnesota para Doenças Infecciosas.

A varíola é de rápida e intensa propagação, como um rastilho de pólvora. Estima-se que a doença tenha matado 120 milhões de pessoas em todo o mundo no século 20.

Se não tivesse sido erradicada, a varíola, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), teria feito 350 milhões de novas vítimas nos últimos 20 anos - quase a população dos Estados Unidos e do México juntas. Cerca de 40 milhões destes doentes teriam morrido, dizimando o equivalente à população inteira da Espanha ou da África do Sul.

Nos primeiros dias, quando a doença é mais contagiosa, é difícil traçar a diferença entre a varíola e a catapora.

Quem tem e quem pode ter

Oficialmente, as únicas reservas de vírus da varíola estão em um laboratório nos Estados Unidos e em um outro na Rússia. Mas pode haver mais.

"Há provas circunstâncias de que o Iraque, a Coréia do Norte e a Rússia mantêm reservas não declaradas de varíola", afirma Jonathan Tucker, autor de um novo livro intitulado "Scourge: The Once and Future Threat of Smallpox" ("Flagelo: o passado e a ameaça futura da varíola").

Acredita-se que, durante a Guerra Fria, a União Soviética desenvolveu armas com a varíola e o antrax, que poderiam ser despejadas nos Estados Unidos por meio de mísseis intercontinentais.

Os russos insistem que preservam os agentes biológicos apenas com fins de pesquisa de vacinas. Um desertor garante que isso é mentira e que as armas poderiam terminar nas mãos das pessoas erradas.

"Em minha opinião, o perigo é claro e atual", afirma o Ken Alibek, especialista em armas da antiga União Soviética.

Ainda assim, mesmo que conseguisse ajuda do Iraque ou se infiltrasse na Rússia, Osama bin Laden e a Al-Qaeda, sua rede de terrorismo, teriam dificuldades para adquirir uma arma biológica.

"Temos que melhorar nossa rede de informações, para saber o que os terroristas estão fazendo nesta área", alerta Tucker. "Acho que a ameaça é bem pequena".

E é pequena porque a produção de agentes biológicos é muito difícil. E mais difícil ainda é transformá-los em armamentos.

Por outro lado, a ameaça de um ataque químico é considerada maior. Neste caso, porém, os Estados Unidos mostram-se mais bem preparados.

Há seis anos, um ataque no metrô de Tóquio com gás sarin, que ataca o sistema nervoso, indicou que os agentes químicos podem afetar apenas uma área limitada.

Mas se seguirem para o Afeganistão, atrás de bin Laden e seus colaboradores, os soldados norte-americanos precisarão de proteção química, dizem os especialistas.

Segundo relatos da imprensa local, imagens de campos de treinamento terrorista em Jalalabad, no Afeganistão, feitas por satélites, mostraram animais mortos na área de experimentos - uma sugestão de que os extremistas podem estar testando várias substâncias venenosas.

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