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O demônio de Laplace

Nos séculos 18 e 19, os modelos científicos mecanicistas colocam de lado os episódios de irregularidade ou o atribuem a desacertos nos métodos de análise. Euler é uma das poucas vozes discordantes, ao teorizar sobre acontecimentos que fogem ao determinismo das leis. Nessa época, as teorias baseadas na necessidade e na razão tendem a influenciar também o entendimento das ciências políticas e sociais. Surge a chamada "matemática social", de Maupertius e Condorcet. Esses conceitos, elementos essenciais ao desenvolvimento da estatística, regem os trabalhos de boa parte dos iluministas.

Em 1814, Laplace refere-se, em um ensaio sobre as probabilidades, a uma idéia que se tornaria base de partida para todos os debates futuros sobre o caos, o acaso e o determinismo. Trata-se do "demônio de Laplace", entidade que poderia ter pleno conhecimento sobre todo os fatos. "Devemos, portanto, ver o estado presente do universo como o efeito de seu estado anterior, e como a causa daquele que virá. Uma inteligência que, em qualquer instante dado, soubesse todas as forças pelas quais o mundo natural se move e a posição de cada uma de suas partes componentes, e que tivesse também a capacidade de submeter todos estes dados à análise matemática, poderia encompassar na mesma fórmula os movimento dos maiores objetos do universo e aqueles dos menores átomos; nada seria incerto para ele, e o futuro, assim como o passado estaria presente diante de seus olhos", afirma.

Mas Laplace acrescenta: "Todos os esforços...O tendem a levar a mente humana cada vez mais próxima daquela inteligência, mas que ainda permanecerá sempre infinitamente inatingível". A afirmação de Laplace revela que seu conceito de probalidade tem ligação com as limitações do conhecimento humano.

Na segunda metade do seculo passado, a evolução da teoria cinética dos gases resulta na produção de um modelo estatístico que apresenta sistemas com altos graus de liberdade. Maxwell atribui um aspecto de incerteza intrínseca ao conhecimento baseado em estatísticas. Mostra também a influência dos "pontos de singulares" na alteração do funcionamento dos sistemas. No final do século, Poincaré realiza um trabalho sobre o "problema dos n-corpos". Trata-se de uma série de estudos gravitacionais relativos à mecânica celeste. O trabalho serve para acender novamente a chama da dúvida e abrir os olhos de cientistas e filósofos para a complexidade e a sofisticação dos fenômenos que regem a natureza.

Fonte - Estadão

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