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Notícia de 1 de outubro de 2003

Combustíveis alternativos começam a ganhar mercado.

Fonte - Estadão

Pesquisas com biomassa, hidrogênio, gás e híbridos já saíram da fase dos protótipos e os novos combustíveis, aos poucos, vão sendo comercialmente testados.

Sonoma, EUA - Os 800 milhões de veículos em circulação, em todo mundo, no ano 2000, devem se multiplicar, superando os 2 bilhões até o ano 2050. Ainda que novos poços de petróleo continuem sendo descobertos, as reservas são limitadas e concentradas em alguns poucos países, o que assegura uma perspectiva favorável para o desenvolvimento de combustíveis alternativos. A par do álcool, já consolidado como fonte renovável, a indústria automobilística testa outras alternativas, tendo passado, em muitos casos, da fase de protótipos para testes comerciais.

Entre as alternativas, capazes de reduzir não só a dependência em relação às reservas de petróleo, como também as emissões de poluentes, despontam o hidrogênio, o gás natural veicular, os motores elétricos, biocombustíveis e sistemas híbridos. Estes não

substituem os derivados de petróleo, mas aumentam significativamente seu aproveitamento. Durante o Michelin Challenge Bibendum 2003, realizado entre 23 e 25 de setembro, na Califórnia, Estados Unidos, mais de 100 veículos estarão testando automóveis, caminhões e ônibus movidos a tais combustíveis, de modo a poder comparar seu desempenho. Diversos modelos já são experimentalmente comercializados, na Europa e Estados Unidos.

Novas parcerias

Também algumas prefeituras desenvolvem programas experimentais, para substituição de combustíveis nos sistemas urbanos de transporte coletivo. Existe, inclusive, um guia com diretrizes internacionais de transporte limpo, resultante de uma reunião realizada em Bellagio, na Itália, em 2001, e um Conselho Internacional para o Transporte Limpo (cuja sigla, em inglês, é ICCT), com sede em San Francisco, EUA. A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) participam deste conselho, financiado pela Hewlett Foundation, a mesma fundação que doou recursos para a compra de 10 ônibus híbridos (diesel e sistema elétrico) da empresa brasileira Eletra. Os ônibus serão testados pela Setransp, na cidade de São Paulo, até o final de 2004, período em que se pretende comprovar a redução estimada de 50 a 60% das emissões. A Eletra também já está negociando com o Chile a venda ônibus semelhantes para teste em Santiago, com financiamento do Banco Mundial, através de seu Comitê de Ar Limpo.

No setor de biomassa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) assinou, em agosto passado, um convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobrás, para ampliar os projetos de pesquisa com combustíveis, incluindo inovações tecnológicas relacionadas ao álcool de cana. Biocombustíveis à base de soja, girassol, amendoim, mamona e dendê estão na lista de prioridades e as pesquisas devem incluir análises das cadeias produtivas, além de desenvolver processos tecnológicos.

O Brasil deve aproveitar melhor as boas condições climáticas para produção de biocombustíveis, visando também o mercado externo de energias renováveis. Neste sentido, a Embrapa deverá contribuir com as tecnologias e o BNDES, identificar e implementar mecanismos de financiamento ou participação em capital de risco, para incentivar o desenvolvimento do setor sucro-alcooleiro e de oleaginosas, de forma a atender a demanda potencial. À Petrobrás cabe prestar apoio tecnológico e de engenharia aos projetos; participar como investidora e disponibilizar infra-estrutura comercial e logística, no país e no exterior, para viabilizar contratos de venda dos produtos e distribuição nos pontos de consumo.