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Notícia de 20 de novembro de 2001

Dessalinização é uma das opções para combater seca o Nordeste

Fonte - globonews

BRASÍLIA -- Ao contrário das outras regiões brasileiras, o Nordeste não dispõe de recursos hídricos suficientes para abastecer plenamente a população local. A crescente demanda, com o aumento do número de habitantes, combinado à decrescente oferta de água, projeta uma situação de colapso no fornecimento que não tardará a chegar se nenhuma atitude for tomada.

Tal quadro fez com que o CTHidro, ou Fundo Setorial de Recursos Hídricos, por meio do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), lançasse um projeto de plataforma tecnológica para realizar estudos sobre a dessalinização. Ela seria uma das opções para combater a seca e o desabastecimento naquela região brasileira.  

Aproveitar a água do mar ou a água salobra, depositada em reservatórios, para consumo é uma realidade em outros países há décadas. No Brasil, segundo levantamento do próprio CTHidro, há cerca de 550 aparelhos dessalinizadores no Nordeste, todos importados. Desses, devido a problemas diversos, normalmente relacionados à falta de manutenção, apenas 30% funcionam. A plataforma tecnológica tem por objetivo criar condições para o desenvolvimento de uma indústria dessalinizadora no país com tecnologia local.

Opção para barragens

João Metello de Mattos, consultor do CTHidro e especialista em dessalinização, disse à Agência Brasil acreditar que um sistema de transformação de água salgada ou salobra em potável, para obter resultados satisfatórios, precisa considerar além das questões econômicas, as informações que a própria natureza fornece. Para ele, não é mais racional continuar investindo em grandes barragens. A intensa insolação e os ventos constantes provocam uma perda de cerca de 30 por da vazão dos açudes, segundo Mattos. "O crescente aumento da temperatura terrestre, em função do efeito estufa, só tende a aumentar o problema", acrescenta. De acordo com o especialista, a água das barragens deveria ser destinada à agricultura e aos municípios menores, onde a dessalinização não é a solução mais viável.

O mar é bom

As grandes cidades nordestinas, predominantemente localizadas no litoral, são, segundo Mattos, banhadas por um mar ideal para se fazer a filtragem. A água do mar nordestino tem menor presença de partículas em suspensão, o que facilita a dessalinização. "É impressionante como a natureza ao privar uma região de determinado recurso, fornece alternativas para sua obtenção", observa.

A dessalinização da água do mar por calor é apontada por ele como a ideal para abastecer os grandes municípios litorâneos do Nordeste. E, dentre as tecnologias que utilizam essa fonte de energia, Mattos recomenda as usinas com Dessalinizador Multi Efeito (DME) porque "são as que melhor se adaptam à realidade nacional". As DME convertem a água salgada em água potável por destilação. "É um processo semelhante à produção de açúcar derivado da cana-de-açúcar.

Tecnologia simples, de fácil implantação e de conhecimento dos pesquisadores brasileiros", avalia ele. Outro benefício que pode ser obtido com usinas à calor é a possibilidades de geração de energia. Em função do modelo hidrelétrico nacional, a energia elétrica também é uma fonte escassa no Nordeste.

Sem poluição

Uma vantagem da utilização da água do mar é a inexistência de contaminantes. A captação é feita longe dos emissários submarinos de esgoto e dos portos. Também os rejeitos dessa usina não se transformam em passivo ambiental, uma vez que podem ser devolvidos ao mar sem problemas.

Entretanto, a dessalinização não é um processo aplicado só à água do mar. Os poços artesianos, principalmente os das bacias cristalinas, caso de 95 por cento do semi-árido nordestino, apresentam-se na sua grande maioria, com água salobra que, uma vez dessalinizada, é uma solução para atender ao meio rural.

No caso das usinas para água salobra a tecnologia que se adapta melhor é a que utiliza a osmose reversa: a água é submetida a uma forte pressão e passa através de membranas que retêm o sal e os minerais. O funcionamento das usinas por este método será otimizado se um estudo prévio de composição da água for feito para identificação das membranas adequadas à filtragem. Outro cuidado quando da instalação desses dessalinizadores é com relação ao rejeitos, que não podem ser depositados diretamente na natureza pois o sal torna o solo inviável à agricultura e pode contaminar os aqüíferos.

Aproveitar a natureza

Também na navegação, as tecnologias se distinguem entre pequenos e grandes. Barcos menores, como os veleiros, são abastecidos por água tratada por osmose reversa, já os transatlânticos usam água destilada por calor, nas caldeiras.

"Como no mar, as necessidades locais de água definirão a tecnologia adequada", diz Mattos.

Além do abastecimento direto, a água dessalinizada pode ser empregada para repor os níveis dos lençóis freáticos.

"No Recife, capital que mais sofre com os racionamentos, os lençóis estão a níveis baixíssimos", informa. "Paralelo à necessidade de prover as regiões com uma quantidade suficiente de água, é necessário que se promovam atividades adaptáveis às condições da região". Como exemplo, ele cita os caprinos, animais que ingerem água com alta concentração de sal, e são uma alternativa econômica e alimentar para o Nordeste. "Temos que entender a natureza e nos adaptarmos a seus ciclos", finaliza.