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Notícia de 15 de novembro de 2000

Estudo mostra que cloro na água pode provocar câncer

Fonte - Terra
A coleta e análise de mais de 200 amostras durante 6 meses, numa estação de tratamento de água de Juiz de Fora (MG) provou que a cloração pode gerar resíduos cancerígenos, quando feita com produtos de origem inorgânica. A pesquisa foi realizada por Jorge Antônio Barros de Macêdo, especialista em ciência e tecnologia de alimentos da Universidade Federal de Juiz de Fora, que também é diretor científico da ortofarma, empresa de controle de qualidade da água, incubada na universidade.

As amostras de água coletadas por ele, em 1997, durante a elaboração de sua tese de doutorado, continham trihalometanos ou THMs, resíduos considerados cancerígenos. "De acordo com a literatura norte americana, depois de consumir diariamente 2 litros água com THM, durante 40 anos, a probabilidade de se contrair câncer de bexiga é de 70%. Após 60 anos, é de 100%", adverte o pesquisador. Ele lançou um livro - Águas & Águas - neste início de novembro, sobre este e outros problemas relacionados à contaminação da água, na qual sugere a troca do produto usado nas estações de tratamento e nas indústrias, para eliminar os resíduos na água de consumo.

"Os THMs são resultantes da reação química de hipoclorito de sódio, usado na pré cloração, com ácidos húmicos e fúlvicos, derivados da decomposição de matéria orgânica, proveniente das margens ou do leito do curso d´água", explica Macêdo. Eles também foram encontrados em estações de tratamento de água de São Paulo, em uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, USP, igualmente referenciada no livro.

"Se trocarmos o hipoclorito de sódio (de origem inorgânica) por di-cloro-isocianurato de sódio (de origem orgânica) e o utilizarmos na fase pós cloração, eliminamos a contaminação por THMs".

Existem outras soluções com menos resíduos para o tratamento da água, como a luz ultravioleta e a ozonização, mas o custo é muito mais alto e a ação residual bem mais baixa. "A água tratada com a luz é boa na estação de tratamento, mas não há como garantir que o efeito perdure até a água chegar aos domicílios e a ozonização tem custos proibitivos", comenta.

O uso do di-cloro-isocianurato de sódio está previsto na portaria 150 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, editada em 1999. Mas a substituição dos sistemas de tratamento mais antigos - com o hipoclorito e os resíduos THM - não é obrigatória.