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Notícia de 31 de agosto de 2000

Evidências de água em Europa

Fonte - Ciência Hoje

Satélite de Júpiter pode abrigar oceano salgado, mostram medições magnéticas

Europa tem um diâmetro de cerca de 3160 km, semelhante ao da Lua da Terra

Um oceano de água salgada pode se esconder sob a camada de gelo que cobre a superfície de Europa, o quarto maior dos 17 satélites de Júpiter. Essa antiga suspeita foi reforçada por medições magnéticas obtidas pela sonda espacial Galileu. Pesquisadores da Universidade da Califórnia (Estados Unidos) analisaram e publicaram os dados na edição de 25 de agosto da revista Science. Com isso, essa lua de Júpiter se torna, junto com Marte, um dos principais alvos para a pesquisa de vida fora da Terra.

A superfície de Europa é coberta por uma camada de gelo de 50 a 100 Km de espessura. Rachaduras nessa película já haviam sido consideradas indícios da existência de um oceano no satélite, ainda que no passado. O magnetômetro da sonda Galileu forneceu as primeiras evidências de que esse oceano pode existir atualmente.

Uma explicação possível para os dados encontrados seria a existência de uma camada de um líquido condutor de eletricidade - como a água salgada - próxima à superfície de Europa. Além disso, medições gravitacionais apontam que as camadas externas do satélite devem ser compostas de um material de baixa densidade - como a água. Já que a condutividade do gelo não é boa, os pesquisadores inferiram que a camada condutora pode ser um oceano líquido - embora reconheçam que as evidências não bastam para afirmar que há água em Europa. "Acreditamos que esse oceano cubra toda a lua e que sua espessura seja de 6 Km, supondo que sua condutividade seja semelhante à da água da Terra", disse à CH on-line Krishan Khurana, um dos cientistas envolvidos na análise dos dados da Galileu.

Europa orbita dentro do campo magnético de Júpiter, que induz a passagem de uma corrente elétrica na camada condutora próxima à superfície do satélite. Essa corrente gera em Europa um campo secundário. A direção deste campo magnético se reverte à medida que a posição da lua muda dentro do campo primário. Em janeiro, medições da Galileu mostraram que essa direção era oposta às encontradas em 1996 e 1998. Os cientistas analisaram como seriam essas mudanças se Europa abrigasse água salgada e as medições atuais se enquadraram em suas previsões. A Nasa está organizando uma nova missão espacial para tentar comprovar a existência do oceano.

Menos água no espaço do que se esperava

Fonte - Ciência Hoje

Um satélite da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) comprovou que algumas teorias dos astrônomos sobre a química do espaço não correspondiam à realidade. O SWAS (abreviatura para Satélite de Astronomia de Ondas Submilimétricas) detectou que os níveis de vapor d'água e de oxigênio encontrados nas nuvens de gás interestelares são bem menores do que se supunha. Nos pontos mais frios dessas regiões, de temperatura poucos graus acima do zero absoluto, foram encontradas apenas algumas moléculas de água para cada bilhão de moléculas de hidrogênio (usada como referencial por ser a mais abundante em nuvens desse tipo). O esperado era um valor não menor que 3 por 10 milhões. As moléculas de oxigênio, que os cientistas esperavam encontrar em uma proporção de 9 por 100 mil (quase uma a cada 10 mil), foram achadas em quantidade irrelevante.

Segundo Ronald Snell, um dos pesquisadores que analisaram os dados recolhidos pelo SWAS, várias hipóteses surgiram na tentativa de explicar essa disparidade. "Uma possibilidade é que grande parte do oxigênio esteja congelada em grãos de poeira. Outra, que o elemento permaneça em sua forma atômica, sem se agregar em moléculas", disse ele à CH on-line.

A descoberta esclarece uma das muitas dúvidas dos astrônomos quanto às nuvens de gás interestelares. Esses grandes aglomerados de grãos de poeira e moléculas de oxigênio, hélio, hidrogênio, vapor d'água e monóxido de carbono são verdadeiros 'berçários celestes', onde novas estrelas se formam. Ironicamente, essas nuvens são compostas por material deixado por estrelas mortas. "As estrelas surgem quando uma nuvem dessas entra em colapso e começa a se condensar", explica Walter Maciel, do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). "Quanto maior a densidade de uma nuvem, maior a chance de, no futuro, originar uma estrela."

No entanto, um outro fator descoberto pelo SWAS pode ser importante para explicar a origem de estrelas. A concentração de vapor d'água nas regiões em que elas estão sendo formadas é cerca de 10 mil vezes maior que se imaginava. Segundo os pesquisadores, isso pode auxiliar o esfriamento e a condensação dos gases da nuvem, eventualmente dando condições para a origem de estrelas. Apesar de tantas descobertas, Ronald Snell adota um ar comedido ao abordar o possível impacto que as medições do SWAS podem ter: "É ainda muito cedo para saber o quanto nossas teorias podem precisar ser modificadas."